sábado, 28 de junho de 2008

Jovens pobres querem estudar, trabalhar e ter lazer

Wedis Martins

Jovens que vivem em uma sociedade estigmatizada pela pobreza e sofrem as conseqüências dessa condição também mantêm esperanças e motivações com relação ao futuro.
É isso que mostra Camila Fernandes Bravo em pesquisa realizada no município de São João de Meriti (Baixada Fluminense). O trabalho realizado com 11 adolescentes resultou na tese de mestrado intitulada “Entre a realidade e o sonho: as implicações do presente na perspectiva de futuro de adolescentes pobres da Baixada Fluminense”.

Os jovens estudados, embora pertençam ao lado pobre da distribuição de renda, sofram por morarem numa cidade que pouco tem a oferecer e convivam diretamente com a violência, estão inseridos na dinâmica atual do mundo globalizado, na lógica do consumo e são influenciados pela mídia. Isso, de acordo com a pesquisadora, é um sofrimento para eles e para todos que estão à margem da sociedade. “Eles têm acesso às informações e transformações do mundo, mas têm muitas dificuldades de conquistá-las”, diz a autora.

Esses adolescentes ainda trazem o fardo de serem percebidos potencialmente como ameaça e carregam o estigma de pertencerem a um estrato social identificado com violência e criminalidade. Tais concepções, diz Camila, interferem na visão que a sociedade tem de serem os jovens sujeitos de direito. Mas ela também mostra que, “embora sejam muitos os jovens envolvidos em violência, muitos são também os que estão tocando suas vidas, sobrevivendo, pavimentando carreiras, como são muitos os jovens envolvidos em experiências de cultura e de atividades comunitárias”.

Apesar de estarem cercados de impossibilidades, a juventude mostra uma “incrível capacidade de sobrevivência positiva nestes lugares que a principio não oferece nada de bom a ela”. Camila explica: “estes são jovens que, vivendo em áreas de pobreza, reagem por sua conta ou com a colaboração de instituições variadas mudando os sinais de vulnerabilidades, ou se preferirem, de risco”. De acordo com a mestra, estas instituições são muito importantes porque minimizam as chances dos jovens ficarem na rua e serem seduzidos pela criminalidade. Elas também, na medida do possível, resolvem problemas imediatos de dinheiro, oferecendo oportunidades de trabalho para eles e condições reais compatíveis com suas esperanças.“Foi percebido que são jovens que no meio de tantas problemáticas querem estudar, trabalhar, ter lazer e não estão tendo chances para isso”, conclui.

Fonte: www.agenc.uerj.br

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