quinta-feira, 26 de junho de 2008

Não existem mais produtos

Não existem mais produtos. Existem coisas que fornecemos às pessoas, a partir das quais elas fabricam seus próprios produtos”. Isso é o que afirma Andrew Lippman, cientista responsável pelo Media Lab do MIT.

No mundo wireless, o controle é do usuário e não há mais produtos, segundo Andrew Lippman. O cientista é responsável pelo Media Lab do MIT e dedica-se a estudar o impacto da sociedade digital em nossas vidas.

Lippman afirma: “A sociedade mudou. Vocês ouvem isso demais e há muito tempo, mas a sociedade mudou novamente, e mudou de modo crítico, de tal forma que afeta o marketing e a produção. Não existe mais produtos. Existem coisas que fornecemos às pessoas, a partir das quais elas fabricam seus próprios produtos”.

“Comprei um Mercedes com telefone em 1984. Um ano e meio depois, a tecnologia dos telefones para automóveis mudou e eu liguei para a Mercedes, pois não podia mais ter um plano de serviços com aquele aparato. A resposta que me deram foi: ‘Troque o carro’.” Lippman recordou que, para mudar o telefone, seria preciso reconstruir o carro todo. “O produto era imutável e o consumidor aceitava aquilo. Isso não é mais verdade”, enfatiza.

O cientista esclarece que estamos numa sociedade que cria coisas novas e que tudo tem a ver com o “nós”, em oposição à era do “eu”, na qual as máquinas respondiam ao indivíduo. “Já não é mais uma moda, mas algo que vai ficar: os sistemas sociais se ligam às sociedades, aos subgrupos, às microtendências”, diz Lippman.

O americano conta que uma amiga foi apresentada ao Twitter, da Nortel, que é um sistema de mensagens instantâneas, no qual você escolhe as pessoas que você quer acompanhar. Por três semanas, sua amiga experimentou o Twitter e, só então, pôde afirmar que gostara dele. Lippman explicou: “É preciso experimentar as novidades para, de fato, avaliar. Isso impacta o marketing”.

O cientista assinala que se alguém quiser lançar um café, deveria fazê-lo via degustação em um salão de beleza, onde vão as donas de casa que compram café, e não anunciá-lo num outdoor. “A mensagem, agora, é membership, associação a grupos. Isso já não é mais moda”, afirmou.

O professor do MIT explicou que o índice de mudança de uma sociedade é função da idade a partir da qual as pessoas têm acesso à tecnologia. Assim, a sociedade, que costumava mudar a cada 16 anos, move-se mais rapidamente, pois as pessoas têm acesso à tecnologia aos três ou quatro anos de idade. Hoje, as gerações mudam quatro vezes mais rapidamente do que acontecia no passado. Isso significa que as coisas que achávamos que eram moda evoluem e tornam-se um elo entre o filho mais jovem e o mais velho. “A mágica é integrar o seu não-produto (pois não há produtos) às redes sociais”, resume o especialista.


Fonte: Portal HSM On-Line – junho de 2008

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