Resultados mostram que o número de lesões de doença foi maior nas maçãs do tipo fuji em relação às do tipo gala. Ferimentos nos frutos, provocados por mosca-das-frutas ou estilete favoreceram o desenvolvimento do problema.
O Brasil ocupa a décima quarta colocação na produção mundial de maçãs, com 870 mil toneladas por ano. O Estado de Santa Catarina é o principal produtor, com uma área de 18,4 mil hectares, detendo 60% da produção nacional, com destaque para as cultivares gala e fuji e suas mutações. As podridões causadas por fungos estão entre os principais problemas fitossanitários que afetam a macieira. No Sul do Brasil, a podridão-branca, causada pelo fungo Botryosphaeria, é uma das principais doenças da cultura. O fungo não necessita de ferimentos para causar infecção, entretanto, na presença destes, ocorre rápida colonização e desenvolvimento de lesões. Isso é o que mostram Janaína dos Santos e equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em um estudo que teve como objetivo avaliar a incidência da podridão-branca em frutos de dois genótipos de macieira submetidos à inoculação artificial, na ausência e na presença de ferimentos provocados pela mosca-das-frutas.
De acordo com artigo publicado na edição de março de 2008 da Revista Brasileira de Fruticultura, “a mosca-das-frutas é a principal praga da macieira. Este inseto provoca danos diretos aos frutos, ocasionando deformações na epiderme e galerias na polpa, e, indiretamente, seus ferimentos servem de porta de entrada para fungos e bactérias, tornando-os impróprios para a comercialização e consumo”. Foram utilizados quatro tratamentos: frutos feridos por mosca-das-frutas; frutos feridos com estilete; frutos sem ferimentos; e frutos sem ferimentos pulverizados com água destilada.
Os resultados mostram que o número de lesões de podridão-branca foi maior nas maçãs do tipo fuji em relação às do tipo gala. Além disso, a equipe observou que os ferimentos nos frutos favoreceram o estabelecimento e o desenvolvimento de lesões da doença. “Nas maçãs fuji, houve associação positiva entre a freqüência de lesões de podridão-branca e o dano causado pela mosca-das-frutas. Nesta cultivar, o número de lesões de podridão-branca nos frutos submetidos à mosca-das-frutas foi muito superior ao número de lesões desenvolvidas em frutos feridos com estilete e nos frutos sem ferimentos”, afirmam os especialistas no artigo.
Dessa forma, eles alertam para a importância da proteção da produção do fungo. Segundo os pesquisadores, “o controle de agentes bióticos ou abióticos que possam promover ferimentos nos frutos, poderá reduzir a incidência de podridão-branca em maçãs”.
Fonte: Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)
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